domingo, 27 de Dezembro de 2009

Palavras acertadas estas...


Há já muito tempo que permaneço agarrada à leitura do mesmo livro. Não é muito vulgar comigo. Contudo, atendendo ao livro em causa e aos acidentes de percurso, sobretudo psicológicos, que a minha vida tem levado, não é de estranhar.

Estou a ler “Ontem não te vi em Babilónia” de A. L. A..

Sei bem que talvez não seja a ocasião mais adequada para o ler pois a escrita de Lobo Antunes não se compadece com mentes menos atentas ou que partilhem as suas concepções com outros ruídos… É que todas as suas palavras estão lá por uma razão. Não podemos perder nada. Assim, tal como Lenine disse (Vladimir Ilitch Lenine – “Um passo em Frente dois passos atrás” 1904), tenho dado alguns passos à frente e muitos atrás.

Hoje de manhã, depois de acordar, peguei no livro e, quase de imediato, tropecei neste pedaço de escrita absolutamente fabuloso:

“….deviam chover lágrimas quando o coração pesa muito e há momentos, palavra de honra, não se compreende o motivo, mas pesa, sente-se dentro o

(ia escrever o incómodo e não incómodo conforme não tristeza, não dor, como se traduzir isto, não sei)

Deviam chover lágrimas quando o coração pesa muito e há momentos palavra de honra que pesa

(para já fica assim)…

Como são assertivas estas palavras e, contudo, como duvidam de si próprias… E, apesar das incertezas, que outra forma há, mais acertada, de exprimir algo inexprimível?

Como as entendo bem ! Como as sinto também!

E então li, reli e voltei a ler. E, sabem que mais? Não passei dessa página, hoje.


(Imagem daqui)

quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Foi mesmo difícil!


Bom. Tinha mesmo de ser.

Está a chegar o Natal e não tinha ainda nada alusivo à quadra que é, queiramos ou não, para todos, crentes, agnósticos, ateus mesmo, uma quadra festiva.

Se o não for por outra razão, é-o, sem dúvida, pelo avivar quase generalizado do sentimento de família e, consequentemente, pela maior tendência para apertar esses laços.

Como habitualmente o Natal será passado cá em casa onde junto toda a família. Neste momento, quatro gerações muito bem representadas.

Portanto, como já disse, tinha mesmo de ser.

Atirar para longe as tristezas, as indolências, as preguiças, as hipersensibilidades de senhora de idade e… enfeitar a casa para a tornar um local acolhedor a todos quantos virão para partilhar comigo esta festa.

Tudo isto, antes do Natal, claro.

Consegui!

E é com orgulho que vos mostro a minha árvore de Natal.

Atrevam-se lá a dizer que não está linda!

domingo, 20 de Dezembro de 2009

Boas Festas

Pois bem. Estamos a chegar àquele limite em que já parece mal não ter ainda abordado sequer o Natal. Quadra, na minha opinião, sobrevalorizada e que, também de acordo com a minha opinião, vai perdendo cada vez mais o seu sentido.

Contudo, dado que ninguém tem culpa deste meu cepticismo em curva manifestamente ascendente, decidi corrigir hoje essa minha imperdoável falta e, embora de forma pouco convencional, desejar a todos quantos por aqui vão passando e me vão acompanhando ao longo dos dias (e, inexplicavelmente, devo dizer que ainda são uns quantinhos) um Felicíssimo Natal gozado na companhia daqueles que vos são mais queridos e que o ano vindouro traga todas aquelas coisas boas que almejam.

Bom, essas e já agora mais umas quantinhas de surpresa. São tão boas as surpresas!

O que já não será surpresa para todos os que aqui vêm é a minha falta de habilidade. Portanto, refreiem aí as vossas expectativas.
Perceberão o que quero dizer depois de verem e ouvirem o meu postal.

Paciência. Não se pode ser bom em tudo!

É claro que deveria ser também proibido não ser bom em absolutamente nada. mas uma vez que não é...


Send your own ElfYourself eCards

quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Tudo tão urgente...



São momentos, estes.

Momentos em que constato

a imensa debilidade que há em mim.

Em mim!

Que surpresa! Como a desconhecia!

Em mim!

A peremptória, a assertiva, o esteio, a insensível!?


A instabilidade alastra cá por dentro

sob esta capa de superficialidade.

Balofice? Ligeireza? Distância?

que tantas vezes dói ao tentar manter-se colada ao rosto.


Porque tudo tão presente, tão perto, tão urgente,

tão vívido que não tenho como deslembrar.

sábado, 12 de Dezembro de 2009


É já este fim-de-semana que poderemos contar com o privilégio de ver (e de preferência adquirir) alguns interessantíssimos trabalhos de bijutaria executados com muita arte e ainda mais gosto pela minha amiga Elsa Pedra.


Estes trabalhos, alguns dos quais têm a particularidade de reutilizar materiais diversos, sempre com um resultado delicadíssimo, irão estar expostos na Casa de Cultura de Paranhos (Campo Lindo) em conjunto com os de duas amigas mais no âmbito das Artes Decorativas.


Se puder (se não for para a apresentação do livro "Escolhas" comigo), então dê lá um saltinho.


Vai certamente encher o olho e, de preferência, esvaziar um pouco a carteira. Assim o esperam as artistas.


Dias: 12 e 13 de Dezembro.

Das 10.00 às 19.00

Local: Casa de Cultura de Paranhos do Campo Lindo, 7-Porto

Perturbação



Sentada neste banco frio, áspero, estranho,

feito de duro granito, que não sinto.

Também eu fria, áspera e dura,

granítica e alheia à gente que passa

Alegre?

Apressada?

Distraída?

Ponderada?

que não vejo,

procuro desatar este nó de perturbações

que fervilha descontrolado.

E não sei como…

Aguilhoa-me (a alma?) ferindo-a indelevelmente, irremediavelmente inexoravelmente…


E não sei como arrancá-lo…

quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Lançamento de livros

Sob um novo olhar, surge a 2ª Edição de "Escolhas".
Um renascer.
Palavras pintadas com fotografias. Pormenores. Um novo olhar pela óptica de Inês Girão.

A Edita-Me e os autores Pedro Branco e Inês Girão, convidam para estar presente na sessão de lançamento desta renovada obra, que ocorrerá no próximo dia 12/Dez pelas 17h00, na sede do SPGL - Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (Rua Fialho de Almeida, 3 - Frente ao Corte Inglês)


A enriquecer este evento com a sua participação, contamos ainda com Pedro Lopes (ao piano), que conjuntamente com Pedro Branco (à viola), farão deste fim de tarde um momento para recordar.

Em forma de apadrinhamento por Pedro Branco, será lançado na mesma sessão o livro "Tudo tem um fim", segunda obra do jovem autor Rui Sousa.


1 ano após o lançamento do seu primeiro romance, Rui Sousa surge agora com esta segunda obra, em que o ditado "Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe", norteia a narrativa.

Com uma escrita simples, directa e muito viva, este novo romance narra as vicissitudes da vida de um homem, que acaba por, pela força dos sentimentos, vencer as adversidades que a mesma lhe impõe.

Uma obra a não perder.

(Texto do convite elaborado pela Edita.Me)


Eu, estarei lá!!!!

domingo, 6 de Dezembro de 2009

Evento a não perder!!!!

A não perder MESMO!

No Clube Literário do Porto


Hoje, dia 6, Domingo
no Piano-bar
às 16h00



Clube de Leitores CLP/Edita-me - «Encontro com os autores»


Ruth Ministro (livro «A Minha Nuvem»)



Marta Neves (livro «Para a Eternidade»)



sábado, 5 de Dezembro de 2009

Crónica do ano de 2009 ou, mais acertadamente, Pedido público de desculpa


(Gravura de Gustave Dorée retirada da Divina Comédia de Dante, edição de 1956, com tradução de José Pedro Xavier Pinheiro)

Quando me propus dar início a esta pequena (esperais vós) prosa, tinha em mente algo que há já muito tempo sentia que deveria fazer.

Reformulo.

Tenho a mais básica obrigação de fazer.

Tenho vindo a adiar esse propósito por razões diversas. Inércia, falta de vontade e de disposição, falta de tempo, não saber bem como o fazer… escolham.

Bom, aí vai!

Venho por este meio (por momentos sinto-me regressar às fórmulas de sempre tão visceralmente embrenhadas em mim que, mesmo numa situação destas, surgem…) apresentar um enorme pedido de desculpa aos meus amigos/as internautas (poucos mas preciosos) que eu, a partir de um dado momento, passei pura e simplesmente a ignorar. Talvez não a ignorar mas, seguramente, a não interagir como era meu hábito e vontade.

Esses amigos que sabem muito bem quem são. Pessoas com quem, por uma razão ou por outra, estabeleci laços irrefutáveis. Alguns tive até o prazer, permito-me dizer, o privilégio, de conhecer pessoalmente. Esses amigos, repito, que me perdoem esta falta que sei ser imperdoável…

Contudo, eu não sou assim. Não costumo ser ingrata, desatenta, descuidada em relação aos outros e, com maioria de razão, muito menos em relação àqueles de quem gosto.

Um conjunto infeliz de circunstâncias (ou de circunstâncias infelizes, como queiram), daquelas que não pedem licença para surgir ao mesmo tempo na vida de uma pessoa, fez com que alguns dos procedimentos que me eram habituais deixassem de o ser.

Há quem lhe chame karma, mas como eu não sei bem o que isso é e, por outro lado não lhe fiz, que eu saiba, mal nenhum, não vejo o sentido de estar a ser tão terrivelmente chatinho comigo ao longo de todo este ano. São mesmo as contingências da vida…

Eu tenho para mim que o ano de 2009 nunca deveria ter começado.

Ou seja: passávamos das 24h do dia 31 de Dezembro de 2008 para as 0h do dia 1 de Janeiro de 2010 e não se falava mais nisso.

Aqui, estou mesmo a ver um desses tais amigos (não, muito mais do que amigo.), a ver como poderá pegar-me pelo facto de colocar as 24h de um dia a coincidir com as 0h do dia seguinte correspondendo ao mesmo momento temporal embora com todo um ano de premeio... Desculpa, muso, é o que é. Não o sei dizer de outra forma.

A ajudar ao resto, em primeiro lugar, desilusão das desilusões, entendi que, atendendo ao que escrevi aqui, nunca irei ganhar o meu sustento tendo por base actividades ligadas à futurologia…

Parafraseando a rainha de Inglaterra, Sua Majestade The Queen Elisabeth the second (que honra para a senhora!), este foi, para mim, verdadeiramente um “Annus (palavra ingrata!) Horribillis.

Desde ter adoecido no dia 1 de Janeiro com aquilo que viria a tornar-se algo complicado e teimoso que me manteve debilitada durante muito tempo, passando por uma estúpida de uma mini cirurgia, a qual só apelido assim dado ter sido feita por um cirurgião, com um bisturi dentro de uma sala de operações, que teimou em dar-me que fazer por muito mais tempo do que o necessário e que só sossegou quando decidi que entraria em auto-gestão e deixaria ficar a “coisa” como “ela” queria ficar.

Em boa verdade uma boa ensinadela para o meu querido (mesmo querido) priminho e cirurgião que me apanhou à falsa fé e me fez essa maldade. Por outro lado quase me batia quando se apercebeu da decisão de me auto-gerir. Decisão, aliás, de que não lhe dei conta nem recado e só mais tarde descobriu.

As mães de ambos os lados decidem começar a adoecer, ou a piorar o que tinham, em uníssono (uma delas está internada neste preciso momento).

Não houve oportunidade de fazer umas férias decentes por razões que se prendem com o trabalho.

Desisti de uma viagem a Budapeste por compromissos assumidos previamente e alterações de datas à última da hora. Embora, para não faltar à verdade, tenho que dizer que foi por uma excelente causa (também tive dessas…).

E, finalmente, não vou poder ir para Nova Iorque no dia 10 como estava previsto pois o Sr. H1N1 resolveu instalar-se cá em casa e está tudo de quarentena até ver.

Bom amigas e amigos. Acham que chega como desculpa para estar com o ânimo na sub-cave e não ter vontade para interagir com ninguém?

Por favor, digam que sim pois não quero entrar em mais pormenores em relação às vicissitudes nefastas da minha vida ao longo deste ano.

Se tiver que o fazer arrastar-vos-ei comigo para o “Cócito” o nono círculo do Inferno. Vá lá. Também estou a ser exagerada. Para o “Malebolge”, o oitavo…

E isso, acreditai, eu não quero!

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Dia triste


Sinto as gotas grossas baterem desenfreadamente na vidraça!

O dia amanheceu chorando, cinzento.

Irado, abana as árvores que largam, impotentes, as folhas.

Estas elevam-se e revoluteiam sem remédio

junto com as pequenas esferas de granizo e as grossas lágrimas de chuva.


Solidário comigo, este dia, talvez.


Também eu acumulo grossas gotas na garganta

que se esforçam, até doer, por tombar pelo meu rosto.

Mas não tombam!

E enovelam-se bem cá no fundo formando uma imensa bola de dor.

Se ao menos corresse um vento que a empurrasse…

Se ao menos a conseguisse engolir e digerir…

Se ao menos a derramasse no dourado tapete de folhas que enfeita o chão…

Se ao menos…

Se ao menos o dia me mostrasse como…

(Fotografia minha: "Da minha janela")

domingo, 29 de Novembro de 2009

Bohemian Rhapsody

Completaram-se no passado dia 24, 18 anos após a morte de Farrokh Bommi Bulsara. Pois é. Era este o nome que havia sido dado àquele que haveria de ser mais conhecido (diria, conhecido apenas) como Freddy Mercury.

Considerado por mim, e não só, evidentemente, um dos maiores cantores/compositores/interpretes que a minha geração teve oportunidade de conhecer merece, sem dúvida, esta encantadora versão alternativa da sua “Bohemian Rhapsody”, interpretada pelos não menos famosos (também para a minha geração) “Muppets”.







E agora a versão original...

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Mais uma vez, vamos suar poesia...


Depois do lançamento do seu livro "Poemas Suados a Negro", Adrião de Abreu Pereira da Cunha, volta ao contacto com o público desta feita no Clube Literário do Porto, no próximo dia 28/Novembro pelas 16:00.

Aproveite a oportunidade, para tomar contacto com esta obra (e seu respectivo autor) de uma escrita ímpar, excelentemente
ornamentada por obras da pintora Isabel Monteiro.

Com apresentação a cargo de Carlos Lopes da editora Edita-Me, contará ainda com a participação da diseur Celeste Pereira e do músico Miguel Motta (piano e voz).

Junte-se a nós e passe um fim de tarde diferente e agradável.

(Convite recebido por e-mail)

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

A chama(da) da vida (morte)


Prendo os meus olhos àqueles outros olhos que, por sua vez, se prendem a um rosto distraído e fatigado buscando os dela, fugidios. Uma filha?

Por momentos, alheia a tudo o resto, olho-os bem fundo e descortino uma expressão de ansiedade? temor? súplica? desesperança? por sob aquele lindo tom de avelã vazio de esperança, brilhando de cansaço, patenteando desilusão.

Fico porém na dúvida, se desilusão, se uma força arraigada de lutador (vencido). Pois embora o seu corpo ostente a degradação da doença, os seus olhos estão ainda vivos, implorantes, exigentes até…

E é então que, com dificuldade solto o meu olhar daqueles olhos e tomo consciência que estou toda arrepiada, aturdida, num abismo de tristeza indescritível.

Estou terrivelmente assustada!

Quanta degradação física pode um ser humano aguentar sem que perca a chama da vida, da sua condição de humano?

Com que clareza nos conseguimos sentir nós quando no exterior nada resta que nos torne reconhecíveis mesmo se reflectidos num espelho?



segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

A não perder



Data e Horário: 5 dezembro 2009
Local: Teatro Ribeiro Conceição - Lamego
Organizado por: Inês Tabajara & Fernando Leal

Descrição do evento:


Direcção Artística Inês Tabajara e Fernando Leal | Bailarinos e Coreógrafos Inês Tabajara e Fernando Leal; Isabel Costa e Nelson Pinto | Músico Jorge Salgado | Diseur Celeste Pereira | Corpo de Baile e Figuração Companhia Ritmo Azul: Mariana Pegado e Fábio Costa; Milene Pinho e Renato Almeida; Patrícia Couto e Hugo Loureiro; Vera Coelho e Nelson Loureiro; Vera Santos e Rui Cardoso | Bailarinos Figuração Patrícia Santos e Pedro Pimenta; Marta Silvestre e Joel Silva | Música Original Jorge Salgado, João Loio e Pedro Rodrigues | Textos e Voz Jorge Salgado e Joana Carvalho | Poemas Alguien le dice al tango: Jorge Luís Borges; Desde el Alma: Rosita Melo



O que podem ver acima são o cartaz (lindo!!!!) e a ficha técnica de um evento que junta o invulgar ao bom-gosto e, sobretudo ao tango.

Tango! Esse mesmo, o sensual, o nascido na carne, o portenho, o visceral, o das milongas... Esse tal, tão belo, tão sedutor, tão irremediavelmente viciante.

Inspirador de grandes poetas (Jorge Luís Borges e Rosita Melo são apenas dois bons exemplos) e de outros tantos grandes músicos (Astor Piazzolla, bandeonista e compositor, Carlos Gardel, apenas o mais famoso cantor de tango argentino, outros dois exemplos excelentes). Enfim, um manancial de cultura e de beleza.


É em Lamego, é certo, mas se puder, não falte. Arrepender-se-á!

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

“Rapto na noite de Natal” Mary Higgings Clark e Carol Higgings ClarK


Que coisa mais aborrecida esta de habituarmos o nosso paladar literário a iguarias requintadas, àquilo que é verdadeiramente “exquisite”!!! É que depois, quando queremos ler um daqueles livros que sabemos à partida serem “ligeirinhos” mas têm a função de nos descontrair, de nos divertir enfim, não exigem muito quanto não temos muito para dar, e que habitualmente até costumavam saber bem….

Pois é, não sabem! Constata-se que, na realidade não sabem a quase nada.

Sentimos que provamos uma prosa corriqueira embora a mostrar um enredo engraçado, com relativa imaginação (convenhamos que no género policial/thriller, em termos temáticos já não há muito que inventar. Há é na forma de expor esses temas!), em relação ao qual vamos perdendo o interesse dada, como já referi, a forma como nos é servido e o expectável do que vamos encontrar. Enfim, sobretudo no início, é de uma insipidez deveras aborrecida.

A verdade é que depois de algum tempo a usufruir das iguarias literárias mais rebuscadas, passar para um prato fraquinho, sem quaisquer requintes de confecção… bem, custa um pouco.

Mas eu, que sou uma pessoa determinada, insisti. Até porque, o curioso no meio disto tudo, é que eu já li e até gostei de alguns dos livros da autora Mary Higgings Clark que aqui surge a escrever em parceria com a filha!

Divertiram-me, distraíram-me enquanto os lia. Ou seja, cumpriram a sua função no momento, dado que era para isso que eu os lia.

Bom, a verdade é que, como disse, li o livrinho todo até ao fim que eu cá não sou de deixar as coisas pela metade, e acabei por lhe achar até uma certa graça. É claro que se adivinha facilmente o fim, é também claro que há uns tantos romances que se desenvolvem pelo caminho… Até porque, digamos em abono da verdade, é o mais natural!

Em momentos de crise em que a própria vida ou a de entes queridos está em risco, a pessoa que é verdadeiramente pessoa, Apaixona-se!

Bom, mas afinal até cumpriu a função a que se destinava. Distraiu-me.

Já viram? Enquanto pensava nestas coisas todas estava completamente distraída! E mais, bem humorada!

sábado, 14 de Novembro de 2009

“Morte no Retrovisor” de Vasco Graça Moura


Acabei de ler mais um livro de Vasco Graça Moura, cujo tipo de escrita, em prosa, descobri há pouco tempo, e é mesmo muito do meu agrado.

Este livro é constituído por vinte e dois pequenos contos em que o primeiro empresta o título ao livro.

Alguns deles, como esse primeiro, são inteiramente ficcionados desde as personagens ao enredo. Outros, nem tanto…

Todos revelam o estilo peculiar e o elevado nível de erudição do autor embora em diferentes registos linguísticos. Desde o discurso de literatos seiscentistas e oitocentistas até à mais contemporânea vulgaridade discursiva, todos podemos saborear, excelentemente reproduzidos.

Depois temos: os detalhes quase despercebidos que ocorrem aquando de um grande acontecimento histórico mas que aqui ganham o relevo da verdadeira história para a qual, a outra, não tem importância nenhuma tal é a ternura e a ingenuidade que emanam;

As personagens reais, de grande relevo, que se perdem nos amanhos ficcionados e comezinhos do dia-a-dia, alguns eivados da mais fina ironia;

A ópera famosíssima que serve de pano de fundo a uma tragédia doméstica;

A agente do KGB que se faz passar por natural de Mirandela enquanto exerce o cargo de porteira do Ministro da Defesa em Paris que, sempre a propósito do “frio”, a dada altura e depois de citar diversos autores diz “…Em Portugal é assim….a escola é exigentíssima. Mesmo lá nas berças, obrigam-nos a ler Camões desde os dez anos e toda a literatura francesa, de Roman de Renard a Philippe Sollers a partir da mais tenra puberdade.”

Enfim. Para todos os gostos sempre com a mesma qualidade.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Humana Tragédia

(Imagem: Diabo no nono círculo do Inferno de Gustave Doré)

Houvera eu ter tido a ventura de ter sido contemplada com estro equivalente ao de Dante Alighieri e os meus fieis, bem como os incautos, leitores ver-se-iam a braços com uma obra literária não menos infernal do que o seu próprio Inferno. O tal da comédia que o Divino inspirou.

É que anteontem passei grande parte da tarde e início da noite no Inferno!

Não. Acreditem que não estou a inventar nem tampouco a agigantar as palavras . Não alcanço designar de outra forma o ambiente que é vivido nas entranhas de uma unidade de urgência de um hospital público nestes dias em que vivemos.

Nem quero mesmo imaginar que aquilo a que eu assisti se passe em todos os serviços de urgência de todos os hospitais.

Mas, mesmo que assim não seja e apenas alguns sejam contemplados com tal horror, mesmo se assim for, só posso louvar a resignação, a paixão o arrojo, em suma, o espírito de missão de quem tem que labutar (com responsabilidades aditadas, dado que são vidas de pessoas que estão em causa, as quais nada têm de mais precioso), em semelhante babel.

É, de facto, uma verdadeira epopeia da qual o comum dos mortais, aquele que ainda não teve a necessidade e, por isso, a oportunidade de utilizar estes serviços, não tem nem a mais pequena consciência.

Eu atrever-me-ia a opinar que a entrada desses locais, ostentasse em espaço bem visível, algo onde se pudesse ler:

“Deixai toda a esperança, ó vós que entrais!”, tal como escreveu Dante no Portal do seu Inferno…

Direis que exagero! Respondo-vos que não.

Senão, cogitai comigo:

Corredores longos e estreitos onde se amontoam macas nas quais jazem corpos, sobretudo de anciãos, de olhos perdidos, esquecidos, na sua maioria sós, que nos olham sem nos ver. Uns, ligeiramente gemebundos, outros gritando alto a sua dor. Uns tartamudeando palavras ininteligíveis, outros, em silêncio, parecendo ter desistido da peleja.

A todo o momento as macas são puxadas, empurradas, desviadas, encostadas, afastadas a fim de que outras possam circular. Também essas com olhos de aflição, de dor, de abandono, de: socorro!!!!

A par, cadeiras de rodas, onde se encontram, também prostrados, corpos menos renunciantes, mais esperançosos, menos resignados com o infortúnio, ainda…

Os odores que as macas emanam, provenientes dos fluidos corporais e, não só, que esses olhos sofridos, envergonhados, pesarosos não conseguem reter são, apesar dos empenhos possíveis dos funcionários, nauseabundos.

São ainda aqueles que, embora padecentes, se aguentam em pé, encostados às paredes, ou sentados nas parcas cadeiras que se encontram em recantos que formam pequenas ilhas cujas pessoas são o que podemos encontrar mais próximo da normalidade, que vão ajudando com uma palavra de conforto aqui, um ajuste das costas da maca ali, um pedido de ajuda para aquela cama, se faz favor, o senhor está a esvair-se em sangue!!!

Exagero? Achais que sim?

E no meio de todo este inferno, repito, onde o ser humano se encontra despojado do seu decoro, da sua dignidade, carente, perdido, revoltado, intratável, belicoso… os profissionais de saúde, por vezes sem local recatado para observar as partes mais recônditas do doente, exercem, com grande dignidade a sua missão, quase sempre mal compreendida.

São médicos, não são deus. Tratam doentes, não fazem milagres!!!!

Fora eu um Botticelli, um Gustave Doré ou até mesmo um Dali, porque não, e teria adquirido inspiração para as mais negras, mas também as mais marcantes imagens da minha vida…

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Assim em jeito de tertúlia...


Pedro Lopes, como sempre no seu melhor... (Para quem vê, tocar até parece fácil!!!!)

Foi no domingo, dia 8 que, no Cube Literário do Porto, se deu início a uma série de eventos dinamizados pela Edita-me que têm como característica ser assim “uma espécie” de tertúlia.

Haverá pelo menos um autor convidado e a sua obra será posta em destaque e cavaqueada com o próprio autor ou autores.

É claro que eventos como estes vivem muito da participação da assistência, do seu conhecimento da obra e do autor ou autores e da interacção conseguida entre estas duas partes, faces diferentes da mesma moeda.

Eu estive lá.

Os autores convidados para esta primeira edição do evento foram Jorge Pópulo, autor do “Oráculo do fogo” livro que já tive oportunidade de aqui comentar como é meu hábito, e Luísa Azevedo com o seu livro de poesia “Pin- Uma explicação de ternura”.

Devo confessar que foi para mim uma agradável surpresa verificar o número simpático de pessoas que estava presente no Piano-bar num dia em que tudo convidadva a ficar no quentinho do lar.

Depois, conseguiu criar-se um ambiente de cumplicidade entre os autores e os leitores ou candidatos a leitores dos livros em destaque que proporcionou a todos quantos tiveram o privilégio de estar presentes, uma tarde entre amigos.

Como sempre, o editor/organizador, atento aos mais ínfimos pormenores, preparou-nos momentos que gozaram tanto do inesperado quanto do verdadeiramente bom e tiveram o condão de enriquecer grandemente o encontro.

Francamente gostei de tudo.

Houve bons momentos de discussão literária, mais ou menos aprofundada; leituras de textos belíssimos que foram, seguramente, apreciadas pela maioria; descrição e bom gosto nos detalhes que envolveram o evento.

Para mim, momento verdadeiramente alto, foi ouvir um poema do livro de Luísa Azevedo, já de si lindíssimo, cantado por alguém que, embora não ligado directamente ao mundo da música, o musicou e o interpretou de forma emocionante acompanhada ao piano pelo sempre presente e excelente músico Pedro Lopes.

Aguardo ansiosamente o próximo pois, se o primeiro foi assim, como serão os que se vão seguir uma vez que já irão beneficiar da boa experiência deste?

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

“Caim” de José Saramago


Era enorme a minha curiosidade em relação a este livro por diversas razões.

Em primeiro lugar, logo que ouvi falar, aí por meados de Agosto, que Saramago iria lançar um novo romance cujo nome era “Caim”, previ, tal como com o “Evangelho segundo Jesus Cristo” polémica acrescida para além da que já é mais ou menos habitual em relação aos livros de Saramago. Mais uma vez iria mexer com a instituição Igreja; pelo menos assim dava a entender o título…

Depois, agora por alturas do seu lançamento, não só se confirmaram as minhas previsíveis suspeitas como, o próprio autor, proferiu afirmações conducentes a agravar a contenda já adivinhada.

Logo a seguir se levantaram vozes vindas dos mais diversos quadrantes proferindo, elas próprias, afirmações tanto ou mais contundentes quanto as do autor.

Devo dizer que, no meu ponto de vista, algumas delas, além de evidenciarem um tom de agressividade semelhante ou até superior tinham em seu desfavor, por um lado a falta dos dotes de inteligência que o autor tem, é um facto, por outro a irreflexão de quem reage a algo de forma muito perturbada, com pouca ponderação.

Confesso que li também respostas bem dadas e que tocavam exactamente os pontos fracos das afirmações do autor embora, infelizmente, tenham passado talvez mais despercebidas pela sua serenidade.

Em boa verdade haveria alguém que não esperasse já estas ou outras afirmações semelhantes pronunciadas pelo autor?

Conquanto as considere evitáveis e, talvez até, exageradas no tom, para mim, eram mais do que certas…

Enfim! As afirmações do autor versus reacções da “oposição” cumpriram a sua função: Em dez dias de venda o livro atingiu a quarta edição!!!!

Por tudo isto, logo que acabei de ler “Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar” de António Lobo Antunes e para não estranhar muito a leitura uma vez que os considero a ambos artífices exímios no que concerne a esgrimir as palavras, dei início à sua leitura.

Pois bem. Encontrei um romance pequeno que li em dois dias.

Entendi-o como uma ficção literária, muito bem escrita (como, aliás, já é hábito) que nos agarra desde o início.

Começa com Adão e Eva no Jardim do Eden e as diversas peripécias até à sua expulsão. Vai continuando em toada ligeira, eivada de humor, até à morte de Abel às mãos de Caim.

Este, personagem central, vai-nos conduzindo no seu vaguear pelo mundo, pelos diversos “presentes” com que se vai deparando.

Esses presentes não são mais do que episódios diversos, ligeiramente ficcionados, em que as personagens são as da própria bíblia, alvos de grande análise crítica e, atrever-me-ei mesmo a dizer novamente, de sentido de humor, que nos são narrados no Antigo Testamento.

Todos eles revelam um deus caprichoso, intolerante, déspota e cruel, como qualquer pessoa que leia este documento considerado histórico (é através do Antigo testamento que ainda hoje se interpretam os vestígios arqueológicos da Mesopotâmia e se dá corpo a aspectos da sua História), sem o halo da crença, também o verá.

Os homens cumprem sempre a vontade de uma entidade toda poderosa, sem questionarem razões, por mais absurdas que elas possam ser, apenas para lhe agradarem sendo que o retorno, na maioria das vezes, não existe.

É um livro polémico, sem dúvida. Sobretudo para quem for crente. Mas, quero acreditar que mesmo esses, se forem honestos consigo próprios, serão levados a reflectir sobre algumas questões sem que contudo tenham que macular as suas crenças. Por outro lado, continuo a dizer, se conseguirem despir-se de preconceitos, julgo que não podem deixar de considerar o livro literariamente bom embora de leitura muito simples e apelativa.

A única coisa que realmente não me agradou muito e já tinha acontecido num outro livro do autor, foi o final. Penso que surge como um remate abrupto e fraco tendo em conta todo o conteúdo do livro. Dá a sensação que José Saramago chegou ali e pronto; não lhe apeteceu escrever mais.

Recomendo, obviamente.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Poesia in Progress


A próxima sessão de poesia será no dia 5 de Novembro, no Café Progresso, pelas 21,30, sobre POESIA TROVADORESCA .



Durante a Idade Média, os jograis iam de corte em corte, de casa em casa, entoando ao som do alaúde e da cítara, belas e ingénuas cantigas de amigo e de amor ou acutilantes e ousadas cantigas de escárnio e maldizer, que marcaram o início da nossa poesia.



Com a leitura dos poemas teremos o acompanhamento do CORAL DE S. IVO interpretando belas peças cantadas que nos transportarão nas maravilhosas asas do sonho e da alegria.



Contamos com a sua presença neste evento original, agradecendo a sua divulgação.


POETRIA (palavras da Dina)

Coisas que me acontecem não sei bem porquê.

(Imagem: o meu olho ao qual eu tirei o vermelho para não assustar os mais impressionáveis)

Há já uns dias que ando com uma ligeira impressão na vistinha esquerda associada a uma sensação de desconforto e com sinais evidentes de derrame nos capilares da dita bistinha (sou do norte!). Nada de muito aflitivo mas que me levou, en passant, a consultar um daqueles médicos que julgo não serem oftalmologistas mas dão consultas em algumas ópticas.

Ora se estão a ver olhinhos alguma coisa devem entender do assunto…

Depois de devidamente esquadrinhados os dois olhos o senhor concluiu, em relação ao derrame, que não fazia ideia do que seria mas aconselhou-me a ir lavando o olho com soro fisiológico para não estar a colocar pomadas ou gotas que poderiam ser agressivas para o tal isso que ele não sabia o que era.

Contudo não vim de lá assim a seco!

Não!!!

Descobri que sofria de hipermatropia e também já não via muito bem ao perto pelo que iria necessitar de óculos progressivos dado que já estava a esforçar a vista.

Claro que não fiquei muito satisfeita com as novidades mas, na verdade, eu tinha a consciência que algum dia teria de ser.

Dado que eu tenho um oftalmologista que conheço há mais de 20 anos e é o que trata das bistinhas cá de casa, decidi que não tomava qualquer decisão sem o seu aval.

Ora, entretanto, no fim de semana, esta coisa do derrame piorou muito e fiquei francamente assustada.

Assim, 2ª feira, telefono para o meu médico e apreciem o diálogo que se desenvolveu entre mim e a assistente do consultório (uma anta há já muitos anos), digno de qualquer filme para “os apanhados”.

Ora vejam:

Ligo e quando a senhora atende:

- Está? É do consultório do Dr. ########?

- É

- Bom dia! Olhe, eu queria saber se seria possível ser vista pelo senhor doutor dado que me surgiu um derrame que tem vindo a piorar o qual gostaria que ele visse e me dissesse o que deveria fazer. Julgo que será uma coisa rápida.

- É cliente do senhor doutor?

-Sou. Há vinte e muitos anos.

-O nome!

- Donagata (não foi nada este!!!!)

-Só um momento!.........Pois. Está aqui a sua ficha. Não vem cá desde 2006!!!!

- Pois não. Não tenho tido problemas nem de visão nem nos olhos!!! Só agora é que estou a ter…

- Então só um momento que lhe vou marcar a consulta.

Em Janeiro, depois do dia 6, qual é o dia que lhe dá mais jeito?

- …………… Qualquer um. Não tenho nenhum tipo de restrição. Mas já agora seria possível informar-me pois deve saber isso melhor do que eu; como levo o olho?

Em formol, dentro de um frasquinho?

Deixo secar e levo-o mumificado?

Vou-o segurando com fita adesiva?

É que vejamos: Estamos no início de Novembro. Ora se isto calha de piorar é certo que o olho vai cair. E depois como é que o Sr. Dr. me faz o diagnóstico?

- Minha senhora. A consulta fica marcada para dia … de Janeiro. Do resto não sei nada nem estou para brincadeiras.

- Com certeza. Está muito bem. Tirando o facto de depois do que eu lhe disse me marcar uma consulta para Janeiro ser, na minha opinião, uma grande anedota só por si, admito que não esteja para brincadeiras. Em boa verdade nem a imagino com capacidades de raiar as fímbrias do sentido de humor mais incipiente.

Então muito boa tarde e tenha um bom Natal!

Julgo que ainda ouvi um resmungo de boa tarde mas, na verdade, nem disso tenho a certeza tal era a minha indignação.

Ora agora digam-me lá!!! Será que estas coisas acontecem a toda a gente ou sou eu que tenho uma propensão algo especial para que aconteçam comigo?

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Assim em jeito de tertúlia...


Eu vou estar lá, claro!

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

“Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?” de António Lobo Antunes”